Chile viveu o quinto ano mais seco desde 1866

Santiago do Chile, 13 dez (Prensa Latina) Este ano foi para o Chile um dos cinco mais secos desde 1866, segundo estatísticas da Direção Meteorológica, que atribui a escassez em parte ao resfriamento do oceano.

Estatísticas do organismo, divulgadas hoje pelo jornal La Tercera, mostram que o maior déficit hídrico foi registrado em 1998 (-1,7 pontos), seguido por 1968 (-1,4), enquanto 2013 compartilha o terceiro lugar com o registrado em 1924 e 2007, um índice de -1,2.

Os cálculos obedecem ao índice pluviométrico, média da quantidade de água que caiu no país por ano e que traduz os milímetros registrados em cada estação de monitoramento em uma fórmula estatística, a qual permite comparar quão seco ou chuvoso foi um ano com relação a outro.

De acordo com a meteoróloga Claudia Villarroel, da unidade de estudos da Direção Meteorológica, quando o oceano está mais frio que o normal, geralmente são anos mais secos no Chile, embora em outros pontos do planeta tenha efeitos diferentes.

"Quanto a anos do El Niño são mais chuvosos. Neste caso, os eventos mais secos registrados no tempo coincidem com anos de La Niña", comentou Villaroel ao La Tercera.

Este último é um fenômeno climático que faz parte de um ciclo natural global do clima conhecido como El Niño-Oscilação do Sul.

Dito ciclo tem dois extremos: uma fase quente, conhecida como El Niño, e uma fase fria, precisamente conhecida como La Niña.

Embora durante este ano não tenha ocorrido este último fenômeno, as temperaturas do mar foram mais frias.

"Quando isto ocorre, se altera a relação entre o oceano e a atmosfera. Intensifica-se o anticiclone que está no sul e não deixa passar os sistemas frontais, e por isso chove menos", detalhou.

O último boletim da Direção Meteorológica sobre monitoramento de seca assinala que nos últimos dois anos se acentuou o caráter "extremamente seco" das regiões de Coquimbo, no centro-norte, Biobío e La Araucanía, no centro-sul.